No mês da Consciência Negra, uma investigação sobre a representatividade racial na saúde pública do Distrito Federal revela histórias de profissionais que estão não apenas ocupando espaços, mas transformando o sistema com dedicação e resiliência. Dados da Secretaria de Saúde (SES-DF) indicam que 15.487 pessoas negras atuam na rede pública, um avanço impulsionado por políticas como cotas raciais. A fisioterapeuta neonatal Janayna Bispo, chefe da UTI Neonatal do Hospital Universitário de Brasília (HUB-Unb/Ebserh), ingressou via concurso em 2014 e hoje lidera iniciativas como o evento “Raízes que curam”, promovendo uma formação antirracista. Sua trajetória destaca como a presença negra melhora o atendimento, como no caso de uma mãe que se sentiu verdadeiramente acolhida pela primeira vez, levando a uma evolução mais fluida no tratamento do bebê. Já a neurologista Júlia Carolina Ribeiro, do Hospital DF Star, enfatiza que oportunidades em ambientes inclusivos permitiram sua ascensão, inspirando jovens ao mostrar que desafios raciais não definem o sucesso, mas sim a forma de enfrentá-los.
Essas narrativas positivas se estendem a profissionais como Eudes Judith Félix, técnica de enfermagem com 20 anos na SES-DF, que transforma barreiras em acolhimento, fazendo pacientes negros se sentirem mais confortáveis em unidades básicas de saúde. Sua dedicação à educação e empatia reforça o potencial transformador da representatividade. No campo da formação, o estudante de enfermagem João Victor Moraes, de 22 anos, na Universidade de Brasília (UnB), campus Ceilândia, vê sua presença como uma esperança para jovens negros, resultado de políticas públicas que quebram barreiras. Comprometido com o combate ao racismo institucional, especialmente na assistência a mulheres negras e indígenas, ele simboliza vitórias coletivas que incentivam uma corrente de conquistas. Essas trajetórias investigadas apontam para um futuro mais justo, onde a diversidade na saúde não é exceção, mas norma, motivando a nova geração a persistir e inovar.