quarta-feira , 23 setembro 2026
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Mulheres negras no poder: como elas estão transformando o mercado de trabalho brasileiro

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Em um painel revelador do evento Histórias de Consciência: mulheres em movimento, promovido pelo Correio Braziliense, lideranças como a advogada Ilka Teodoro, a presidente do Instituto É Possível Dora Gomes, a administradora Rafaela Santana e a deputada distrital Doutora Jane desvendam os obstáculos invisíveis que ainda limitam a ascensão de mulheres negras no mercado de trabalho. Investigando trajetórias pessoais e dados concretos, as debatedoras expõem como o racismo estrutural se manifesta em processos seletivos excludentes e na falta de representatividade em cargos de liderança, mas destacam caminhos promissores para mudança. Ilka Teodoro, por exemplo, compartilha sua jornada da advocacia à vitória nas eleições da OAB em 2012, revelando como o ativismo racial e de gênero a empoderou para lutar por estabilidade e equidade. Com um olhar positivo, o painel enfatiza que famílias negras, moldadas pela educação e pela resiliência, estão pavimentando futuros melhores, transformando limitações em oportunidades de ascensão.

Dora Gomes, munida de estatísticas impactantes do Ministério do Trabalho e Emprego e do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais, investiga a disparidade alarmante: enquanto a taxa de desemprego geral é de 6,9%, entre mulheres negras chega a 10,1%, e apenas 0,5% dos cargos de alto escalão são ocupados por pretos. Ela denuncia a “triagem invisível” em recrutamentos, onde vieses inconscientes favorecem brancos, mas propõe ações intencionais para inclusão real, afirmando que “diversidade sem poder é só presença”. Rafaela Santana complementa essa análise ao narrar sua vivência de “não lugar” em Brasília, inspirada no filme Que Horas Ela Volta?, e defende que contratar não basta: é essencial criar pertencimento e estruturas de permanência. Essas revelações não só expõem falhas sistêmicas, mas inspiram jovens a valorizar políticas afirmativas e formação continuada como ferramentas de transformação.

Doutora Jane, primeira deputada distrital negra na Câmara Legislativa do Distrito Federal, reforça a investigação ao defender políticas públicas como reparação histórica, citando a aprovação unânime de seu projeto de lei sobre letramento racial. Ela acredita na educação como “ferramenta transformadora”, capaz de combater o preconceito e abrir oportunidades, provando que a desigualdade é questão de acesso, não de capacidade. Esse painel não apenas destrincha problemas enraizados, mas irradia otimismo, incentivando uma geração jovem a engajar-se em ambientes corporativos equitativos e em ações políticas que garantam equidade real para mulheres negras, construindo um Brasil mais inclusivo e próspero.

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