terça-feira , 13 outubro 2026
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Hugo Motta sob fogo cruzado: desgaste na presidência da Câmara atinge pico inédito

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Desde que assumiu a presidência da Câmara dos Deputados em fevereiro, Hugo Motta (Republicanos-PB) enfrenta seu período de maior desgaste, com críticas vindas tanto de governistas quanto de oposicionistas. Monitoramentos digitais, como o realizado pela agência Ativaweb entre 9 e 10 de dezembro, revelam que 72,8% das menções ao deputado nas redes sociais foram negativas, totalizando mais de 7 milhões de referências. O foco principal das críticas recai sobre a sessão de votação do Projeto de Lei da Dosimetria, marcada por tumultos, uso de força policial contra o deputado Glauber Braga (PSol-RJ), retirada de jornalistas do plenário e interrupção do sinal da TV Câmara. De acordo com o levantamento, apenas uma em cada dez manifestações sobre o episódio não criticava Motta, que passou a ser visto como responsável por um ambiente de truculência e retrocesso legislativo.

O desgaste não é recente e inclui controvérsias como a PEC da Blindagem, criticada por ampliar garantias a parlamentares contra investigações da Polícia Federal e rejeitada até pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Manifestações em setembro aceleraram o sepultamento da proposta, e Motta chegou a acionar judicialmente um sindicato na Paraíba por outdoors críticos em João Pessoa. Relações com o Planalto azedaram desde junho, com a pauta de um decreto para sustar o aumento do IOF, visto como quebra de acordo pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Rompimentos públicos, como com o líder do PT Lindbergh Farias (RJ), e acusações de imaturidade na condução da pauta agravaram o cenário, com Motta sendo acusado de decisões erráticas que enfraquecem sua autoridade.

Cientistas políticos, como Leonardo Paz Neves da FGV e Pedro Hermílio Villa Boas Castelo Branco do Iesp-Uerj, apontam fragilidades na gestão de Motta, que carece de base sólida e desagrada múltiplos lados ao tentar equilibrar apoios. O custo institucional recai sobre a Câmara, prejudicando a credibilidade do Parlamento. O momento crítico persiste com decisões pendentes sobre deputados como Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, além de protestos previstos para hoje contra o PL da Dosimetria, que pode reduzir penas de condenados por tentativas de golpe, e mobilizações articuladas por grupos como Brasil Popular e Povo Sem Medo. No Senado, o texto será relatado por Esperidião Amin (PP-SC), com o governo planejando vetos caso avance.

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