terça-feira , 13 outubro 2026
Início Distrito Federal Luta de paciente com câncer expõe lentidão na incorporação de medicamentos pelo SUS
Distrito Federal

Luta de paciente com câncer expõe lentidão na incorporação de medicamentos pelo SUS

135

Sheylla dos Reis Ribeiro, de 42 anos, enfrenta um agressivo câncer de pele e depende integralmente da mãe, Cleusa Pereira dos Reis, de 66 anos, para sobreviver. Diagnosticada com melanoma em 2020, Sheylla iniciou tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal, mas os medicamentos disponíveis não surtiram efeito. Um médico em hospital privado recomendou a imunoterapia com Nivolumabe e Ipilimumabe, com custo estimado em R$ 342 mil, valor inacessível para a família. Desesperada, Cleusa relata o sofrimento diário da filha, que perdeu forças para tarefas simples e chora pela falta de acesso ao tratamento. “Ela precisa do remédio. Qual é a mãe que não chora vendo a filha sofrer?”, desabafou a mãe, destacando a magreza extrema de Sheylla e apelando ao governo para liberar os medicamentos, argumentando que não são caros para o erário público.

A batalha de Sheylla na Justiça, por meio de ações no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), não obteve sucesso até o momento, levantando debates sobre a atualização da lista de medicamentos oferecidos pelo SUS. Apesar de o Ministério da Saúde ter incorporado o Nivolumabe para tratamento de melanoma avançado há mais de cinco anos, conforme decisão da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), o medicamento ainda não está disponível nos hospitais públicos, com o processo administrativo em andamento para aquisição. Já o Ipilimumabe recebeu parecer desfavorável e não há nova demanda para análise. Sheylla se sente maltratada pela rede pública, afirmando que os impostos pagos deveriam garantir acesso a tratamentos eficazes, e critica a ineficácia das opções atuais, conhecidas pelos próprios médicos.

Roberto Gil, diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (Inca), explica que as imunoterapias como Nivolumabe e Ipilimumabe são opções entre diversas, com cerca de 54 indicações, mas os altos preços representam barreiras ao acesso. O Inca participa de avaliações com a Conitec, considerando evidências científicas, eficácia, segurança e custo-efetividade, além de protocolos clínicos para definir incorporações no SUS, respeitando o princípio da equidade. A Secretaria de Saúde do DF confirma que Sheylla está sendo acompanhada, com consulta em oncologia agendada, mas o caso ilustra os desafios orçamentários e burocráticos na saúde pública brasileira.

Veja também

Casa em Samambaia Norte com fitas policiais e drogas apreendidas pela PM
Distrito FederalSamambaiaSegurança

Polícia Militar apreende 50 kg de drogas em casa de Samambaia Norte

A Polícia Militar do Distrito Federal apreendeu cerca de 50 quilos de...

Interior de restaurante em Taguatinga, local do assassinato de empresário
Distrito FederalSegurança

Empresário é assassinado a tiros na cabeça dentro de restaurante em Taguatinga

Um empresário de 56 anos foi assassinado com disparos de arma de...

Urna eletrônica em seção eleitoral no DF com Congresso Nacional ao fundo
Distrito FederalPolítica

Pesquisa aponta Celina Leão com alta chance de vencer no 1º turno no DF

Uma pesquisa divulgada na quinta-feira pelo Instituto Opinião Inteligência Política indica alta...

Pacotes de cocaína apreendidos pela Polícia Civil em Recanto das Emas, DF
Distrito FederalSamambaiaSegurança

Polícia Civil do DF prende dois homens e apreende 165 kg de cocaína em Recanto das Emas

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou na quinta-feira, 1º de outubro...