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Brasil desperta para reparações: a força da marcha das mulheres negras por um futuro mais justo

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No coração de Brasília, a 2ª Marcha de Mulheres Negras surge como um farol de esperança, reunindo vozes que exigem o reconhecimento de quase 400 anos de escravidão e seus impactos persistentes na desigualdade racial. Investigando o legado que ainda posiciona pessoas negras na base da pirâmide social – com menor renda, acesso limitado à terra e direitos básicos –, ativistas como Ruth Pinheiro destacam a necessidade urgente de reparações. Ela enfatiza que isso vai além de desculpas: envolve políticas públicas concretas para reverter cenários onde negros são maioria em favelas, prostituição e tráfico. O Manifesto Econômico lançado pela marcha propõe soluções inovadoras, como um fundo nacional, taxação de grandes fortunas, redução de juros, reformas agrária e urbana, além de ações afirmativas em empresas públicas. Com quase 60 milhões de mulheres negras no país – uma em cada três brasileiras e as mais afetadas pela pobreza, segundo o IBGE –, o evento pressiona por mudanças que garantam bem-viver, saúde e oportunidades, inspirando jovens a se envolverem nessa luta coletiva por justiça.

Explorando camadas mais profundas, a marcha aborda o racismo religioso e a inclusão de segmentos como o LGBTQIA+, revelando histórias de resiliência que motivam ações positivas. Mãe Nilce de Iansã, do Ilê Omolu Oxum e coordenadora da Renafro, denuncia incidentes como a invasão armada de uma escola em São Paulo após uma criança desenhar a orixá Iansã, ou o apedrejamento de Kayllane, de 11 anos, em 2015. Essas narrativas impulsionam demandas por políticas de proteção a povos de terreiro, promovendo o reconhecimento de práticas tradicionais na saúde. Já Bruna Ravena, do Fonatrans, reforça a luta por vidas dignas para mulheres negras trans, com acesso a trabalho, moradia e saúde. Enquanto o Brasil retoma discussões estagnadas desde a Conferência Pan-Africana de 1993, propostas como a PEC 27/24, que cria um fundo de até R$ 20 bilhões para empreendedores e projetos sociais, sinalizam avanços. Simone Nascimento, do MNU, vê nisso uma chance de desmontar o racismo que hierarquiza vidas, abrindo portas para um país mais equitativo e inspirador para as novas gerações.

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