sexta-feira , 9 outubro 2026
Início Distrito Federal Feminicídio no Exército revela tensões de gênero nas forças armadas
Distrito Federal

Feminicídio no Exército revela tensões de gênero nas forças armadas

141

O Distrito Federal registrou o 26º caso de feminicídio neste ano com a morte de Maria de Lourdes Freire Matos, uma cabo de 25 anos e musicista da Fanfarra do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas. O crime ocorreu na tarde de sexta-feira, quando o soldado Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, confessou ter golpeado a vítima com um punhal no pescoço e incendiado o local para destruir provas, antes de fugir. O corpo foi encontrado carbonizado durante o rescaldo do incêndio pelos bombeiros, que identificaram um corte profundo. Kelvin, capturado pouco depois no Paranoá, apresentou versões contraditórias à polícia, incluindo alegações de um suposto relacionamento e assédio por parte da vítima, o que foi negado pela família e colegas. A investigação, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal e pelo Batalhão de Polícia do Exército, resultou na prisão preventiva do suspeito, autuado por feminicídio, furto de arma, incêndio e fraude processual.

A advogada Leila Santiago, representante da família, enfatiza que Maria de Lourdes era solteira, focada na carreira militar e rejeitava relacionamentos no ambiente de trabalho, sugerindo que o crime foi motivado pela incapacidade do agressor de aceitar a autoridade feminina dela, que ocupava posição hierárquica superior. Fontes próximas relataram que Kelvin se apresentava como “bom samaritano” e se aproximava de mulheres recém-chegadas ao regimento. O Exército lamentou o ocorrido em nota, afirmando que o soldado será excluído da corporação, e instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar os fatos. A família aguarda o laudo do Instituto Médico Legal para o sepultamento, enquanto o Comando Militar do Planalto oferece apoio.

Especialistas destacam implicações políticas, como a necessidade de fortalecer políticas de gênero nas instituições militares. Ivonete Granjeiro, consultora legislativa da Câmara Legislativa do DF, aponta que o caso será julgado pela Justiça Comum, conforme jurisprudência do STF, e reforça a Lei nº 14.994/24, que qualifica o homicídio de mulheres por razões de gênero como crime hediondo, com penas de 20 a 40 anos. Lucia Bessa, do Instituto Viva Mulher, defende treinamentos obrigatórios sobre violência de gênero, canais de denúncia independentes e protocolos de punição imediata para prevenir abusos em ambientes hierárquicos e masculinistas, integrando educação, acolhimento e medidas protetivas para combater o feminicídio de forma sistêmica.

Veja também

Casa em Samambaia Norte com fitas policiais e drogas apreendidas pela PM
Distrito FederalSamambaiaSegurança

Polícia Militar apreende 50 kg de drogas em casa de Samambaia Norte

A Polícia Militar do Distrito Federal apreendeu cerca de 50 quilos de...

Interior de restaurante em Taguatinga, local do assassinato de empresário
Distrito FederalSegurança

Empresário é assassinado a tiros na cabeça dentro de restaurante em Taguatinga

Um empresário de 56 anos foi assassinado com disparos de arma de...

Urna eletrônica em seção eleitoral no DF com Congresso Nacional ao fundo
Distrito FederalPolítica

Pesquisa aponta Celina Leão com alta chance de vencer no 1º turno no DF

Uma pesquisa divulgada na quinta-feira pelo Instituto Opinião Inteligência Política indica alta...

Pacotes de cocaína apreendidos pela Polícia Civil em Recanto das Emas, DF
Distrito FederalSamambaiaSegurança

Polícia Civil do DF prende dois homens e apreende 165 kg de cocaína em Recanto das Emas

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou na quinta-feira, 1º de outubro...