quarta-feira , 14 outubro 2026
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Manifestação em Brasília une vozes contra o feminicídio e a impunidade

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Mulheres de diversas regiões do Distrito Federal participaram, neste domingo (7), de uma manifestação pelo fim da violência contra as mulheres. O Levante Mulheres Vivas, que ocorreu em pelo menos 20 estados além do DF, começou por volta das 10h na Torre de TV e teve como objetivo denunciar o aumento de casos de feminicídio e protestar contra todas as formas de violência que violam os direitos das mulheres à liberdade, respeito e segurança. Mobilizadas por coletivos, movimentos sociais e organizações feministas, as participantes buscaram romper o silêncio e exigir justiça, destacando que a sociedade não aceitará mais a impunidade. Ana Carolina Oliveira Tessmann, coordenadora do Levante Mulheres Vivas no DF e uma das organizadoras, enfatizou a importância do ato para unir mulheres de todas as diversidades, autoridades e movimentos sociais em prol da causa, afirmando que o objetivo é responder à sociedade brasileira que não tolerarão perder mais vidas.

Durante o evento, foram discutidas situações de agressão enfrentadas na capital, com críticas à fragilidade da rede de apoio e proteção prevista em lei, à falta de políticas públicas e à disseminação de discursos de ódio nas redes sociais, agravantes do cenário de violência. Um dos temas centrais foi o feminicídio ocorrido na sexta-feira (5), que vitimou Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos, esfaqueada e queimada pelo suspeito Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, no quartel do Exército. A manifestação contou com a presença de um grande coletivo de mulheres e homens em apoio à causa, relembrando outros casos, incluindo 26 feminicídios no DF neste ano. A primeira-dama Janja Lula da Silva participou e discursou, pedindo legislação mais dura contra o feminicídio, pressionando o Judiciário por penas mais severas e criticando a impunidade que permite que agressores voltem às ruas rapidamente.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, destacou em entrevista que o ato ocorre em uma semana triste para o Brasil, marcada pela morte de Maria de Lourdes, e reforçou a luta coletiva pela vida e respeito às mulheres, esperando que seja o início de muitas manifestações. Ana Cleia Holanda, de 60 anos, vítima de tentativa de feminicídio em 2020, compartilhou sua história de agressão pelo ex-companheiro, que resultou em graves sequelas físicas, e criticou a falta de reparação do Estado e a conversão de seu caso para tentativa de homicídio simples, enfraquecendo a lei de proteção às mulheres na capital. O evento marcou um apelo por mudanças urgentes no Código Penal para combater a violência e a impunidade.

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