O estupro e espancamento de uma mulher de 47 anos em situação de rua, ocorrido sob o pilotis de um prédio na 411 Norte, no Distrito Federal, no último sábado, desencadeou uma operação do Governo do Distrito Federal (GDF) direcionada à população vulnerável na Asa Norte. O agressor, Rafael Silva Lima, de 19 anos, também em situação de rua, foi preso em uma invasão na 611 Norte, próxima à Universidade de Brasília (UnB). A ação, concluída na segunda-feira, resultou em 105 atendimentos pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), remoção de 35 estruturas precárias pelo DF Legal e recolhimento de inservíveis com 13 caminhões do Serviço de Limpeza Urbana (SLU). Nenhum dos atendidos aceitou acolhimento, e houve relatos de hostilidade contra as equipes. O comandante do 3º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Michello Bueno, destacou que a operação já estava prevista devido ao histórico de violência na área, considerada a maior invasão da região, e que o policiamento foi intensificado para prevenir retornos.
Moradores e comerciantes da região, como os da SQN 403, expressam insegurança, relatando assaltos, assédios e furtos associados a alguns indivíduos em situação de rua, muitos usuários de drogas. O professor de direito penal Téndey Moreira alerta contra generalizações, enfatizando que nem todos nessa condição são criminosos, e defende políticas de inclusão personalizadas para combater a vulnerabilidade. Dados do 2º Censo Distrital de 2025 revelam um aumento de 19,85% na população em situação de rua, totalizando 3.521 pessoas, com o Plano Piloto concentrando 25,5%. O uso de substâncias psicoativas é alto, com 86% dos adultos relatando consumo, liderado por álcool e crack. Especialistas como Welliton Caixeta Maciel reforçam a necessidade de abordagens humanizadas, além de fortalecimento de centros de referência e redes de saúde mental.
A secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, ressalta a heterogeneidade das necessidades dessa população, citando iniciativas como o Hotel Social, com mais de 24 mil pernoites em 2025, e programas de qualificação como o RenovaDF. Em paralelo, o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, anunciou operações como a SCS Integrado para enfrentar crimes patrimoniais e homicídios entre vulneráveis, integrando policiamento com tecnologias como câmeras de reconhecimento facial. Ao longo de 2025, o DF Legal realizou 419 operações, atendendo 2.847 pessoas e removendo 1.661 estruturas, com envolvimento de múltiplas secretarias e órgãos de segurança. A vítima do ataque foi atendida em hospitais e liberada, enquanto o agressor, transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, responde por estupro e tentativa de feminicídio, podendo pegar mais de 20 anos de prisão.