A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou na terça-feira o projeto de lei nº 1.015/2024 que concede prioridade na vacinação do GDF a doadores cadastrados de sangue, medula óssea, órgãos e tecidos. A medida, que recebeu 19 votos favoráveis e nenhum contrário em dois turnos, segue agora para sanção do governador Ibaneis Rocha e expõe a fragilidade crônica dos estoques do Hemocentro, especialmente de tipos raros. Apesar do caráter solidário da doação, a necessidade de criar incentivos revela falhas persistentes na captação voluntária.
Benefícios e limitações da nova regra
O texto aprovado prevê ainda preferência em atendimentos públicos e privados, exceto em casos de urgência e emergência, além de campanhas de conscientização. No entanto, críticos apontam que a iniciativa chega tarde diante de repetidas quedas nos estoques e que a prioridade em filas de vacinação pode gerar questionamentos sobre equidade no acesso a serviços de saúde. O deputado Pepa, autor da proposta, defende que o benefício ajudará a aumentar o número de doadores no Distrito Federal.
Essa é uma forma de incentivar a doação, que é um ato de solidariedade e que salva vidas. Muitas vezes, as pessoas não doam por falta de tempo ou por não terem um incentivo. Com essa prioridade, esperamos aumentar o número de doadores no DF
Pepa
Impacto esperado nos estoques do Hemocentro
Com a sanção do governador, o projeto visa garantir volumes suficientes de sangue para atender a população do DF, mas especialistas alertam que a dependência de benefícios pontuais não substitui políticas estruturantes de doação contínua. A aprovação ocorre em momento de pressão sobre o sistema de saúde local, onde a falta de doadores regulares já comprometeu cirurgias e tratamentos em ocasiões anteriores. Campanhas de conscientização previstas na lei tentam reverter esse quadro, embora o foco negativo permaneça na insuficiência histórica de estoques.