A governadora Celina Leão autorizou obras de saneamento básico em São Sebastião, no Distrito Federal, após mais de trinta anos de reclamações de moradores que enfrentam diariamente a escassez de água tratada e a ausência de rede de esgoto. Os serviços, orçados em R$ 153 milhões, foram assinados em 02/07/2026 e preveem prazos de execução entre 240 e 540 dias, mas a população local já demonstra ceticismo diante de promessas que se arrastam há décadas sem solução efetiva.
Espera de décadas agrava sofrimento dos moradores
Os recursos contemplam a construção de adutora, dois reservatórios de quatro milhões de litros cada e redes de distribuição nos bairros Morro da Cruz, Capão Comprido e Residencial Vitória. Apesar do volume investido, a iniciativa chega tarde para famílias que relatam racionamento constante e dependência de poços ou de vizinhos para tarefas básicas. A Caesb, presidida por Luis Antonio Reis, admite que o abastecimento atual por poços é precário e gera perdas significativas.
Quando a gente chega, já não tem mais água. Aí tem que correr atrás do vizinho para arrumar água e poder pelo menos lavar uma louça.
Joseana Ferreira
Investimento bilionário não apaga histórico de negligência
José Wilson Magalhães, outro morador, afirma que qualquer melhora será bem-vinda, mesmo com o custo adicional da tarifa, pois água é essencial. No entanto, ele ressalta que a conta chegará para quem já pagou caro pela falta de serviço público adequado durante anos. A governadora reconheceu a demora, mas a assinatura das ordens de serviço não elimina o prejuízo acumulado pela população de São Sebastião.
Começamos no Morro da Cruz hoje. Eu fico muito feliz quando venho a uma comunidade como o Morro da Cruz, que esperou por mais de 30 anos isso acontecer. Isso fala muito sobre o que é trazer cidadania. A população de São Sebastião pode esperar trabalho e compromisso da nossa parte.
Celina Leão
Com a nova adutora vinda do Mangueiral, o governo promete água de melhor qualidade e maior segurança no fornecimento. Ainda assim, o atraso crônico em obras de infraestrutura básica expõe a dificuldade histórica de atender regiões periféricas de Brasília, onde milhares de famílias permanecem sem acesso pleno a direitos básicos.